11 de ago de 2009

and I wonder...

O silencio gritava em seus ouvidos e não importa o quanto enfiasse o dedo na garganta, não conseguiria vomitá-la. Não. Ele pagou para ver, correu o risco, riscou a pele, rasgou a carne, perdeu a alma, e agora o doce do beijo dela ia azedar em boca por um longo tempo.
Não adiantava esperar, sabia que nutrir esperanças era só enganar a si mesmo e se odiava um pouco mais a cada telefonema, a cada mensagem, que ansioso esperava ser dela mesmo sabendo que não seria. Merda. Estava prostrado, e cada tentativa de se levantar resultava apenas de mais dor, em mais sangue, sangue que já não tinha mais de onde tirar.
Queria gritar sua dor. Queria arrancá-la e jogá-la nos jornais, nas revistas. Queria que o mundo inteiro soubesse, mas o silencio, o silencio gritava mais alto, gritava que ele sobreviveria, que se levantaria e isso, isso lhe oprimia o espírito ainda mais que os cortes e a dor porque levantar-se significava esquecer, e ele ainda não queria esquecer...


"love is not a victory march, it's a cold and it's a broken hallelujah"

Um comentário:

- Hannah disse...

gostei muito, escritor favorito :)