11 de ago de 2009

and I wonder...

O silencio gritava em seus ouvidos e não importa o quanto enfiasse o dedo na garganta, não conseguiria vomitá-la. Não. Ele pagou para ver, correu o risco, riscou a pele, rasgou a carne, perdeu a alma, e agora o doce do beijo dela ia azedar em boca por um longo tempo.
Não adiantava esperar, sabia que nutrir esperanças era só enganar a si mesmo e se odiava um pouco mais a cada telefonema, a cada mensagem, que ansioso esperava ser dela mesmo sabendo que não seria. Merda. Estava prostrado, e cada tentativa de se levantar resultava apenas de mais dor, em mais sangue, sangue que já não tinha mais de onde tirar.
Queria gritar sua dor. Queria arrancá-la e jogá-la nos jornais, nas revistas. Queria que o mundo inteiro soubesse, mas o silencio, o silencio gritava mais alto, gritava que ele sobreviveria, que se levantaria e isso, isso lhe oprimia o espírito ainda mais que os cortes e a dor porque levantar-se significava esquecer, e ele ainda não queria esquecer...


"love is not a victory march, it's a cold and it's a broken hallelujah"

3 de ago de 2009

lembranças de uma despedida

Ela colocou o primeiro pé no onibus. Ele respirou mais fundo como para desfazer o nó que lhe apertava o peito e ameaçava subir garganta acima.
Lembrava de cada detalhe. Lembrava da mão, do toque, do beijo.Lembrava do cheiro, do gosto, do desejo. E por mais coisas que a vida lhe ensinara até então, ainda agora, com ela indo embora, sentia-se surpreso e irremediavelmente bobo. Era incapaz de descrever aquela sensação, de lhe dizer como fora incrivel aquele dia. Era incapaz de sequer lhe segurar mais uma vez e pedir que ficasse.
Se esqueceu por um momento de respirar quando a silhueta dela desapareceu na porta. Pensou em quantas vezes ela lhe tirara o folêgo. Pensou em cada sorriso que ela dera, cada olhar, cada vez que ela se virava envergonhada... é, foram muitas vezes...
Seria esse um daqueles momentos em que as pessoas geralmente dizem "se eu morresse agora, morria feliz"? E embora ele soubesse que a vida ainda estava no começo e que era absurdo resumir ela a uma pessoa, não podia se furtar tal pensamento. Não se fosse honesto consigo mesmo pelo menos.
Voltou a respirar num soluço. O onibus agora manobrava, logo deixaria a rodoviaria.
Ela não estava na janela...
"O tempo vai passar rápido" dizia ela. Passar rápido pra que, passar rápido pra quem? Ele não havia perguntado. É lógico, o tempo, a distancia, muito conspirava contra, pouco a favor. O tempo passa, o onibus se distancia. Não sabia se ela se lembraria dele quando chegasse em seu destino, mas ele, por mais masoquista que pudesse parecer, lembraria dela. Pegou o cheiro do cabelo, o ultimo beijo e o ultimo olhar e guardou, em um lugar onde nem o tempo pudesse atingir. Abriu os olhos e lentamente começou a caminhar. Lembrou que não gostava de lógica e desejou que aquela história só estivesse no começo.

2 de ago de 2009

3 em 1, ou, O Leite.

Havia urgencia em seu corpo.
Seus passos eram lentos - havia muita gravidade - e seu objetivo estava longe, quase inalcançavel.
Havia urgencia em seu espirito.
Muitos copos, cobertos com agua, permaneciam ao seu redor, mas na distancia, havia um que tinha Leite.
E era como se cada célula em seu corpo queimasse em brasa.
E naquele estranho corredor, sempre que se aproximava, o chão vibrava com o peso de seu corpo e o copo caia
São assim as noites de quem muito deseja, disse-lhe a psicologa
Mas era como se cada célula em seu corpo queimasse em brasa.
Mas ela não entendia a importancia do Leite, o copo não entendia a importancia do Leite e até o Leite duvidava da própria importancia
E muito tempo se passou, e muitas vezes ele chegou perto, e muitas vezes mais o copo caia sem que seus dedos pudessem toca-lo.
Leite, ela perguntou em outra seção, porque Leite, ou melhor, porque aquele Leite?
E em seu desassossego, desolado, percebeu que nunca poderia explicar, e que mesmo que pudesse, de nada serviria visto que seu Leite, objeto de tanta estima e desejo parecia cair não pelo tremor, mas por vontade própria.
Então, sem muito porque, o cansaço lhe atingiu e ele não quis mais o Leite.
Nesse dia, ele não correu. Nesse dia, o copo não caiu, continuou distante, continuou frio.
Por um breve momento ele quis estilhaçar o copo em suas mãos e ver o branco do Leite se tornar vermelho com seu sangue.
Por um breve momento ele quis que todo aquele maldito corredor simplesmente explodisse.
E foi isso, segundo sua psicologa, que o libertou. Agora ele estava curado.
Agora, ele estava livre. E ao olhar para tras pela ultima vez, viu o copo brilhar pela ultima vez, com seu Leite inalcançavel, sorriu amargamente, virou-se e acordou.
E ele nunca mais sonhou com o Leite.
E ele nunca mais sonhou com o Leite.
E ele nunca mais sonhou com o Amor.
E ele nunca mais sonhou com o Amor.


Eu sei, eu sei, texto bom não precisa de explicação, mas como é a primeira vez que tento algo do genero... o objetivo, nas alternancias entre negrito e normal era criar 3 textos dentro de um, de tal forma que, lendo só o negrito se tem um texto, lendo só o normal se tem outro texto, e lendo os dois, se tem um terceiro texto, sendo que todos falam sobre a mesma coisa. Não ficou lá essas coisas mas é a primeira vez que eu tento algo assim, então f...-se
bjos pra mim (pq eu sou egocentrico e um tanto besta as vezes)