3 de out. de 2013

Antes que seja tarde





Antes que seja tarde,
me dá mais um beijo?
me deixa sentir teu hálito quente
me protege do mundo frio

Antes que fique cinza
Não me impeça de pular
Não me peça cuidado
Não me diga que o fogo arde

E antes de apagar a luz
me conta mais uma história
me faz mais um cafuné
me dá motivo pra sonhar.

Antes que acorde
deita do meu lado
rouba a coberta
sorri faceira sobre meu peito

Antes que vire amor
mostra meus defeitos
faz rir deles.
Faz vontade de ficar.

Antes que fique triste
diz que é pra sempre
sempre e pra sempre
e faz acreditar


Antes que fique tarde
Me pergunta outra vez
O quanto te amo.
Respondo: apenas o suficiente...

.
.
.

 ... Pra durar toda a eternidade.

30 de set. de 2013

As vezes...

Dói, eu sei. Dói pra caralho, mas não é essa a intenção?
Ninguém disse que seria fácil. Viver sabe. Nunca foi. E mesmo eu, que me julgava invencível, já quis, por mais de uma vez, desistir.
É, eu já quis jogar a toalha, esquecer essa porra de esperança, esquecer você, esquecer o mundo. Ainda quero, as vezes. E sei que ainda vou querer. Mas seria mais fácil não? Muito mais fácil. Mas ainda assim, te ver “chorando” acaba comigo. Te ver querendo desistir. Porque eu sei que você é melhor que isso. Porque eu sei que você merece mais. Porque em algum lugar no meio dos meus meio-caminhos, eu descobri que não adianta desistir. Não existe desistir. Querendo ou não, a vida te levanta. Ela te leva de volta e você faz de novo as coisas que jurou nunca fazer. Ela te FODE de novo e de novo. E depois mais uma vez. Até que em um determinado momento você não aguenta mais. Em um determinado momento você muda. Um pouco. Você começa a ver as coisas de um modo diferente. Você vê que a gente tenta por ordem em tudo. Que a gente tenta entender tudo. Que a gente é arrogante pra caralho. Que a gente acha que o primeiro posto de gasolina na estrada já é o destino final. E, se você realmente entender, você também descobre que a estrada não tem um final. Ou pelo menos não um que a gente possa ver. E, por mais estranho que pareça, isso te dá uma certeza. Uma certeza estranha. Um tudo que é nada e um nada que é infinito em suas possibilidades. Uma certeza que te faz entender que tudo é transitório e eterno. Que aquilo que você tenta segurar vai eventualmente mudar, sumir, fugir. Que o inesperado está escondido em cada esquina, basta esperar.Que não existe justiça. Lógica. Que o que você sente, se for verdadeiro, vai estar sempre com você, mesmo quando você parar de sentir. Que o que passou é eterno. Vai sempre ter existido. Vai sempre existir em você. E, por fim, que é a esperança, e não o ar ou a comida ou qualquer coisa tão mundana, que te mantem viva, e que mesmo tentando fugir dela, ela esta em você, em sua essência.
A vida partiu meu coração. Eu parti meu coração com ela. E o seu. E você o meu. E dói, eu sei. Dói pra caralho. E não era essa a intenção. Mas é eterno. E o amor também é.

Não desista. Nunca.

13 de set. de 2013

Pizarro

Fui um pássaro.
Fui pedra.
Fui incêndio florestal.
Numa era de gelo.
E em cada dia fui uma coisa diferente.
Fui eu.
Fui incoerente. Tive esperança.
Corri atrás do passado.
Perdi.
Me perdi.
Fui sangue correndo.
Fui ficar em pé nos cacos.
Fui procurar um chão já desmoronado.
Fui o grito.
E a rouquidão que e seguiu.
Fui o texto não escrito.
E agora não sou nem começo nem fim.
E não sou meio.
Fui buscar minha casa.
Fui chorar no escuro.
Fui buscar abrigo.
Fui e voltei de mãos vazias.
Fui flertar com a saída fácil.
Quase não voltei.
Fui me ajoelhar.
Fui pedir aos Deuses.
Fui medroso. Egoísta. Carente.
Fui?
Fui comemorar pequenas vitórias.
Fui procurar meu caminho.
Fui procurar um caminho.
Fui.
E talvez por ter ido
Tudo o que eu quero é voltar.

25 de ago. de 2013

E o diabo que nunca veio...

E eu que jurei que não ia fazer mais isso notei que a minha jura, assim como qualquer decisão que exija muito esforço, caiu por terra. Ainda assim se você me assombrasse, se a gente pudesse voltar, se eu não fosse tão estupido, egoísta e imaturo, eu juraria o mundo. Eu cumpriria o mundo.
E eu que me esforcei tanto, eu que me torturei pelos meus pecados, eu que achei que um dia tudo isso ficaria para tras.. Hoje eu estou aos pedaços. De novo. E nem foi preciso muita coisa, só uma semelhança, só uma musica, só uma foto... só a lembrança do meu fantasma.
E em cada estilhaço um reflexo, e em cada reflexo um erro.
E eu que pensava que tinha mudado. Cada erro refeito, dessa vez com uma carga extra de culpa. Agora eu sei. Eu sei onde erro. Mas por que não errar? Os últimos erros já me tiraram tudo que me importava. E mudar não fez as coisas voltarem ao que eram, então, pra que? Pra que mudar? Pra que fazer o certo?
E se eu tivesse ficado em casa hoje. Ontem. Sempre. Se eu não tivesse atravessado aquela porta. Se eu nunca tivesse visto. Se eu não soubesse...
E eu que para consertar, ou esquecer, venderia minha alma, fiquei a noite inteira esperando o diabo que nunca veio. Mas amanha isso vai passar. Sempre passa.
E eu que tentei fugir do passado vou conseguir escapar dele, como todo dia, até o próximo fantasma. 

15 de ago. de 2013

Uns dias

Que se foda!
As palavras saiam fracas, estranhas. A garganta estava seca. Falta de uso. Os dedos também estavam mais duros. As frases saiam assim, as golfadas. Um jorro vindo da alma. Da lama. Da vontade de atirar em todas as direções até que não existisse nada além dele. Ele não queria ouvir as justificativas. Não queria ouvir que estava errado. Não estava. Não queria estar. Não queria que ninguém lhe roubasse o direito de estar puto. Não que fosse se vingar, não acreditava nisso, mas pelo menos podia estar puto. Podia beber. Encher a cara até tudo parecer melhor. Já fizera isso antes. Queria o silencio. Queria que pelo menos dessa vez as coisas fossem do seu jeito.
Estava cansado.
Cansado de tentar ser superior. De ser bom. De correr atrás. Estava cansado de se refazer. De pegar os estilhaços de si e tentar fazer um novo chão. Um novo começo onde se apoiar. E sim, isso era mais difícil do que parecia. E talvez, e esse pensamento realmente lhe assustava, só talvez, já não tivesse jeito. Talvez esse fosse o preço dos pecados que cometera, e de alguns que ainda cometia. Talvez simplesmente já não valesse mais a pena. E enquanto pensava nisso ele sentia o caos abaixo dos seus pés. Ele sentia a vida. Não necessariamente algo bom, mas uma força. Uma força neutra. Uma força que exigia vazão. Que aproveitava cada brecha de seu suposto controle para escapar. E a vida também saia assim, as golfadas. Não! Mais forte! Aos jorros! E jorrava violenta. Aquela força era cruel. Era mesquinha. Era indomável. Era brutal. E ela, ele agora sabia, quebraria novamente seu chão. Estilhaçaria mais tantas vezes seu coração.
Os gritos de sua garganta saiam melhores agora. Mas ainda assim, ainda que fossem perfeitos, ainda que acordassem não só a sua casa, ainda que acordassem a porra da vizinhança inteira, do mundo inteiro. Ainda assim não seriam o bastante. E de novo talvez - esse maldito talvez - nunca fossem o suficiente. A garganta secaria de novo, é fato. Ou pelo grito ou pela ausência. Os dedos, que agora escreviam freneticamente nos papéis e nas paredes e, por fim, no próprio corpo, eles também voltariam a ser duros e lerdos como antes. As decepções continuariam. Os desamores. As importâncias não correspondidas. E eu juro que queria terminar isso com uma frase mais alegre, ou uma esperança no futuro, acho realmente que ele merecia, por mais errado que fosse, mas, eu também ando cansado. Espero que ele me desculpe por isso.


30 de jul. de 2013

Fuga.

Troquei a foto. Troquei a roupa de cama. Troquei os sorrisos.
Fugi sim. Por anos. Por léguas. Por oceanos.
E voltei.
E notei que já não era do sorriso que eu tinha medo.
Mas da sombra de um tempo ido.
Da saudade que faz tudo mais bonito.
Tinha medo de mim e do que o meu querer podia roubar de mim.
Tenho medo dos fantasmas enterrados.
Medo das palavras ditas. Mais medo ainda das não ditas.
Medo do pretério do futuro. Medo do mais que perfeito.
Não, nunca fui corajoso.
Meus arrombos de romantismo analisados não são muito.
Talvez não cheguem nem perto do suficiente.
Mas eu sou assim, silenciosamente alto.
Não grito. Ou pelo menos não mais.
Também não procuro culpados. Não os quero.
Que todos se absolvam.
Ou quase todos. Não sou tão bonzinho assim. E nem tento ser, confesso. Não de verdade pelo menos.
O fato permanece. A fuga é mais fácil.
Um copo de suco de laranja e uma torrada e pé na estrada.
Mas, no fundo, ainda sou eu. E ainda tenho que voltar.
Mudanças e pretextos.
A verdade é esquiva e inconstante. Eu também sou. Confuso. Contraditório. Paradoxal.
E errado. Dizem.
Mas eu tento. Tento voltar. Tento enfrentar.
Tento escrever de novo. Mas escrever... é se abrir demais... entende?
E mesmo sabendo que o texto de hoje pode se transformar no fantasma de amanha.
Eu tento. Tento porque é uma parte de mim.
Tento porque alguns demônios só são exorcizados quando ganham nomes.
Enfim, eu tento. E dessa vez, de verdade.

Mas se eu pudesse fugir... A se eu pudesse fugir mesmo... Eu fugia.

1 de mai. de 2010

Antes de dormir

E enquanto eu velava seu sono todos os caminhos errados pareciam certos.

E os fantasmas do meu armário passavam, um por um, cada um com uma memória, cada um com uma dor, refazendo seus passos, seus gestos, e desaparecendo no batente da porta. E de cada poro vazava uma lembrança. E de cada poro vazava uma gota de sangue. As promessas se desfaziam no ar e os anos corriam velozes.

E enquanto eu sentia os movimentos sôfregos do seu corpo sob o meu e você mordia suavemente seu lábio reprimindo os gemidos de cada nova descoberta as velhas cicatrizes sumiam aos poucos. As antigas ilusões estilhaçadas voltavam a tomar forma. A cada sorriso, a cada beijo, sentimentos mortos tornavam a florescer. A cada suspiro a nevoa cinza se dissipava. A cada olhar... Ah, a cada olhar... Com todo o peso do céu as muralhas caiam e as defesas ruíam no mais profundo silencio.

E enquanto eu recebia o calor do seu hálito e aninhava seu corpo nu no meu peito um vazio avassalador me tomava, como o medo de pular de um precipício, como ser jogado de um avião em movimento sem direito a para quedas. Qualquer medo ou experiência perdiam a validade enquanto seus sussurros doces me esvaziavam, me purificavam. Não havia mais o que esconder. Não há. Olho mais uma vez para o penhasco. O maior que já vi. Sorrio uma ultima vez para meus fantasmas e, num momento de coragem monumental me atiro, entrego, confio e espero que teus ventos façam minhas asas enferrujadas voarem pela primeira vez.

E enquanto eu percebo que não sou mais meu, apago a luz e beijo sua testa. Não tem mais jeito. Então sussurro em teu ouvido e puxo um pedaço do cobertor.



Boa noite meu amor...