28 de mai de 2009

A culpa é da chuva

Hoje chove no mundo, hoje chove também no meu mundo.

Pele de papel, veneno de metal. O maior dos cuidados ainda é pouco, a maior das ilusões não ilude tanto. Corro entre espinhos e me bato no vidro da janela. Não, não posso tocar a realidade lá fora, não posso chegar ao destino que eu queria, não posso, não devo, não quero, e mesmo não querendo, quero tanto que chega até a doer. Meus pensamentos se debatem e se chocam, como loucos completamente sãos em camisas de força se batem e se chocam com a parede acolchoada de uma prisão imposta para seu próprio bem. Bem?

Porque os homens buscam aquilo que não existe, aquilo que não se pode ter? Inventamos maquinas desnecessárias, criamos sociedades, erguemos impérios, mas aquilo que na lenda os Deuses cindiram de nós me parece cada vez mais irrecuperável. Porque buscamos a felicidade em uma vida que nada mais é do que acidental? Uma sequencia de acidentes me trouxeram até aqui, uma sequencia de tragédias. É na dor que a inspiração aparece, na necessidade que se resolvem os maiores problemas, na morte e no caos que ressurge a vida. A vida é triste, depressiva, má. A vida dói, cada vez mais, como um teste maldoso colocado para ver o quanto suportamos.

A carne é fraca. A carne rasga. Eu quero rasgar a carne. Quero rasgar o espírito. Quero rasgar tudo. Quero rasgar como me rasga seu veneno de metal. Sangue. Sangue para aliviar o peso, sangue para limpar os erros, sangue para alimentar os vermes. Sangue. Sangue e risadas. Risadas falsas de quem mente pra si mesmo. Risadas de quem acredita que se importa. Risadas pra quem acha que existe mais do que os laços de dependência social. Risadas pra quem acredita em amor. As risadas a gente guarda, sejam suas ou minhas, de você ou de mim, o sangue a gente derrama, derrama pelo mesmo corte que eu fiz em mim com as tuas mãos.

Droga.

As vezes tenho vontade de gritar. E continuar gritando, até que meu coração pare, até que minha carne se corroa, até que meus ossos se decomponham e nada mais sobre alem do eco desse grito. As vezes me enjôo e me enojo. As vezes não entendo. As vezes entendo até demais. As vezes eu queria que as pessoas fossem diferentes, mais honestas consigo mesmas, mais verdadeiras com os outros. As vezes eu queria que as coisas fossem melhores e que o sofrimento pudesse ser evitado. As vezes acredito que essas coisas são possíveis... acho que essas são as piores vezes.

Mas não acreditem em mim, é a chuva que me deixa assim.

Sem musica, sem frase, sem palavra e sem cuspe...

3 comentários:

Kyanne disse...

gostei demais do texto =D
Beijos

Jéssica disse...

queriiiiida
que saudade de você e dos seus textos *.*
tenho que voltar a te ler com mais frequencia.
enfim, tá tudo lindo como sempre.
mil beijos

Will disse...

ai, eu sei que não dá pra ver pelo blog, mas eu sou menino viu... meu sapatinho é Azul! rsrsrs